a febre do século 18

domingo: 10 de maio

 

Em 1974, os psicólogos Donald Dutton e Arthur Aron conduziram um experimento que ficou conhecido como o estudo da ponte suspensa.

Homens que atravessavam uma ponte instável e alta tinham muito mais chances de se sentir atraídos pela pessoa que encontravam do outro lado do que os que atravessavam uma ponte firme e baixa.

A conclusão: situações envolvendo adrenalina e altura fazem o coração acelerar e os sentidos se aguçarem, levando o cérebro a associar aquela intensidade à pessoa ao lado.

E você, já confundiu adrenalina com paixão?

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THE BIG PICTURE

Dê a uma garota os sapatos certos e ela conquistará o mundo.

(Imagem: Netflix)

Paris abriga hoje duas exposições simultâneas sobre o século 18, uma no Musée des Arts Décoratifs e outra no Palais Galliera. Uma semelhança entre elas? Ambas lotam. Não por nostalgia, mas por reconhecimento.

A verdade é que esse período talvez seja a maior influência invisível da moda e da cultura contemporânea. Invisível porque já está incorporada. Alguns exemplos:

  • A cadeira medalhão do Rei Louis XVI inspirou a marca de grife Dior e o designer e arquiteto francês Philippe Starck.

  • Os corpetes e saias volumosas que Christian Dior ressuscitou nos anos 1950 — quando a moda francesa precisava recuperar seu prestígio no pós-guerra — vieram diretamente do século 18.

  • Chanel reinterpretou o vestuário da época em 1992.

  • Em setembro, o Palácio de Versalhes celebra 20 anos do filme Marie Antoinette, de Sofia Coppola.

Mas por que, 200 anos depois, ainda somos tão fascinados?

O século que nunca saiu de moda

Arrumar-se podia levar até quatro horas. O corpete com barbatanas comprimia o corpo e exigia ajuda para ser vestido e limitava cada movimento. As perucas eram tão elaboradas que criaram uma profissão. Os tecidos carregavam bordados, rendas e fitas que não comunicavam apenas beleza, mas posição.

(Imagem: Pinterest)

A roupa era linguagem, e quem conseguia interpretá-la, sabia exatamente com quem estava falando.

  • A silhueta feminina — dois triângulos invertidos unidos pelas pontas, o corpete afunilando até o ventre, os quadris ampliados artificialmente — era uma arquitetura de poder.

E então, às vésperas da Revolução Francesa, tudo muda. Os vestidos se simplificam, as cores suavizam e as formas se aproximam do corpo real. Pela primeira vez, a moda permite que ele respire.

Maria Antonieta e o paradoxo do ícone…

Hoje, ela é vista como um ícone de moda. Mas, ao contrário do que muitos pensam, Maria Antonieta seguia as orientações das costureiras e mercadoras parisienses.

(Imagem: Pinterest)

O ícone era, na prática, uma cliente, e há algo curiosamente moderno nisso.

A figura que o imaginário transformou em símbolo máximo de luxo era, em grande parte, uma mulher usando o guarda-roupa como armadura em um ambiente que a devorava.

A corte de Versalhes era um campo de batalha em que a aparência decidia alianças, rivais e destinos — algo distante do cenário de glamour que muitos imaginam.

O luxo como espelho

As mansões aristocráticas de Paris funcionavam como uma barreira: isoladas do caos das ruas sem calçamento, sujas e mal iluminadas. Por dentro, excesso; por fora, precariedade. Soa familiar?

(Imagem: Pinterest)

Além da estética, o que o século 18 nos deixou foi um sistema: do desejo fabricado, da distinção social pelo objeto e da roupa como discurso.

Tudo o que hoje chamamos de luxo, tendência e moda tem raízes fincadas naqueles salões de Versalhes. A diferença é que hoje o corpete não comprime mais, mas o desejo de ser visto… esse não mudou nada.

GIRO CULT

📚 Os melhores livros de 2026 (até agora). O The New York Times revelou sua aguardada lista de destaques do ano.

🧑‍🍳 “Yes, Chef!”, pela última vez. FX confirmou que a 5ª temporada de The Bear será a última.

🔪 E, para já ir colocando o avental e afiando as facas… Foi lançado de surpresa um episódio especial de 1 hora focado em Richie e Mikey no streaming.

BASEADO EM UMA HISTÓRIA REAL

Sobre o que insiste em ficar

(Imagem: Pinterest)

A história de Felipe e Luana começou, estranhamente, com um adeus.

Ela estava em Curitiba para fazer o Enem. Felipe era da cidade. Se conheceram por acaso, através de amigos em comum, num final de semana que nenhum dos dois planejou.

Luana diz que foi amor à primeira vista; Felipe confessa que foi em uma conversa profunda, no dia seguinte, que percebeu que ela era diferente.

  • Marcaram um reencontro para a segunda fase da prova… E foi nesse segundo encontro que Luana quis dar adeus, pois ela voltaria para Belo Horizonte, sem data para retornar.

Felipe não aceitou. Disse que o mundo daria tantas voltas que poderiam se encontrar novamente.

O que se seguiu foi construído à distância: mensagens, chamadas de vídeo, um vínculo de confiança que foi crescendo antes de qualquer rótulo. A primeira vez que Felipe viajou de avião foi para visitá-la em BH.

Foram para Alagoas sem ainda namorarem — e, numa garrafa de vidro, guardaram a areia da praia de Maceió como símbolo daquela primeira viagem.

  • Num mirante, um guia falou que o ritual era jogar uma semente e fazer um pedido. Tempos depois, Luana revelou que tinha pedido para casar com ele.

Uma cena diz muito sobre quem ela é. Estavam no Rio Grande do Norte, na parte de trás de um buggy, em direção às dunas de Genipabu. Chovia. O dia estava fechado, sem sol, e Felipe pensava em como tinham errado na escolha da data.

Então, olhou para o lado e viu Luana sorrindo, tomando aquela chuva no rosto, rindo, curtindo como se fosse um dos melhores dias da vida.

Os anos foram passando. Viagens por Minas Gerais, a formatura dela, a pandemia que os aproximou e os sonhos que iam tomando forma.

E havia uma música. Luana não ouvia muito pagode, mas começou a gostar por causa dele. Juntos, escolheram que Como Nunca Amei Ninguém, do Exaltasamba, seria a música deles.

Um dia, indo a um restaurante com música ao vivo, a canção tocou no rádio do carro e Felipe brincou: “Nossa música. Se tocar hoje no restaurante, eu te peço em casamento.”

  • Quando entraram no local, era exatamente essa música que começava a tocar. Ele não tinha planejado, mas, de algum jeito, a vida tinha.

Em 2024, foram morar juntos e, poucos meses depois, veio a surpresa: estavam esperando João Pedro. Ele nasceu em junho de 2025.

Desde então, a casa ganhou um novo ritmo: um pouco mais de barulho, um pouco menos de silêncio e muito mais amor ocupando os espaços.

Neste ano, pela primeira vez, o Dia das Mães terá outro significado — e, de algum jeito, o que começou com um adeus encontrou seu jeito de ficar.

Ficou curioso para conhecer Felipe e Luana? Eles já apareceram no nosso Instagram! 💌

EDITOR’S PICK

Dicas da nossa equipe

(Imagem: Amazon)

O livro Pequenas Coisas Como Estas se passa na Ireland de 1985. O respeitável comerciante de carvão Bill Furlong vive uma rotina pacata com sua família até a chegada do período de Natal.

O que começa como uma entrega comum em um convento local se transforma em um dilema moral devastador quando Bill faz uma descoberta perturbadora sobre as jovens que vivem ali.

(Imagem: Divulgação)

Em E Se Fosse Verdade, ainda sofrendo com a morte da esposa, David Abbott vê sua rotina se transformar ao se mudar para um novo apartamento e descobrir que a antiga inquilina ainda habita o lugar.

O que começa como um conflito por espaço com um espírito sem memória rapidamente se transforma em uma busca desesperada pela identidade de Elizabeth, fazendo David questionar os limites entre a vida, a morte e a possibilidade de um novo amor.

EM CARTAZ

Nos cinemas ou no conforto do seu sofá

(Imagem: Divulgação)

Preparem os patins e o coração: a febre literária de Elle Kennedy finalmente ganha vida nas telas. A série Off Campus: Amores Improváveis estreia no Prime Video em 13 de maio, com todos os 8 episódios liberados de uma só vez para quem gosta de maratonar.

E a produção já chega com moral, tendo a segunda temporada confirmada antes mesmo da estreia. Para elevar a temperatura, o elenco principal veio a São Paulo para um evento exclusivo com fãs — veja uma entrevista aqui.

A trama foca no improvável romance entre o astro do hóquei Garrett Graham e a estudante de música Hannah Wells, prometendo entregar todo o magnetismo e a tensão que transformaram os livros em best-sellers globais e pilares do gênero new adult.

Confira os principais lançamentos da semana:

  • Todas Elas Em Uma 11 de maio, nos cinemas.

  • Abbott Elementary (5ª temporada)  13 de maio, no Disney+.

  • Belas Maldições (3ª Temporada)  13 de maio, no Prime Video.

  • Alma Negra - Do Quilombo Ao Baile  14 de maio, nos cinemas.

  • As Pessoas Ao Lado — 14 de maio, nos cinemas.

  • Mambembe  — 14 de maio, nos cinemas.

E você, assistiu a qual dos lançamentos que mencionamos na última edição?

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FINAL NOTES

A próxima pode ser a sua 💌

Gostou da história que leu? A próxima pode ser a sua. Conte pra gente aquela história de amor que só você sabe e tem dentro de si. Afinal, todo mundo tem a sua.

Envie para: [email protected]

Queremos compartilhar, pelo menos um pouquinho, desse sentimento que você tem aí dentro. Você nunca sabe o que ele pode provocar nas pessoas…

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