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discos de vinil
domingo: 12 de julho

Hadley perde seu voo de Nova York para Londres por apenas quatro minutos — e é exatamente nesse descompasso que a vida resolve agir. No aeroporto, ela conhece Oliver, um estudante britânico que gentilmente lhe empresta o carregador do celular.
Os dois embarcam no mesmo voo e, nas sete horas que se seguem, descobrem que talvez o atraso tenha sido a melhor coisa que poderia ter acontecido. Mas, ao pousar em Londres, o caos os separa. Sem número, contato e com apenas 0,2% de chance de se reencontrarem, segundo os próprios cálculos estatísticos de Oliver.
Amor à Primeira Vista (2023), baseado no romance de Jennifer E. Smith e dirigido por Vanessa Caswill, questiona o que é destino, o que é acaso e o que acontece quando o amor aparece no momento mais improvável.
ENSAIO ABERTO
“A música não cabe em um algoritmo.”

(Imagem: Pinterest)
Coleciono discos de vinil há dez anos. Lembro como se fosse hoje de pedir para minha prima trazer da Austrália o meu primeiro: uma cópia de The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd.
Hoje, uma década e mais de cem discos depois, penso que, se alguém quisesse entender quem eu sou sem nunca ter me conhecido, uma boa sinopse seria olhar os discos que estão no rack da minha sala.
De uma forma muito peculiar, os discos contam uma história que eu provavelmente não conseguiria contar de outra forma.
Eles mostram as bandas que ouvi obsessivamente aos dezesseis anos, os álbuns que comprei em viagens marcantes e os artistas que descobri por causa de um amigo que atualmente nem faz mais parte da minha vida.
Cada um deles registra um momento específico, como uma fotografia que, em vez de guardar um momento, guarda uma versão de mim por meio das músicas.
Sempre achei bonito que um objeto pudesse ter esse poder. E acredito que seja por isso que eu nunca tenha conseguido enxergar o vinil apenas como um formato de mídia. Para mim, ele funciona como um arquivo de memória.

(Imagem: Pinterest)
Foi pensando nisso que me veio uma pergunta: se uma obra ajudou a construir quem você é, não deveria existir em algum lugar que realmente fosse seu?
Historicamente falando, nunca tivemos tanto acesso à cultura. Em poucos segundos, ouvimos praticamente qualquer música já gravada, assistimos a um filme ou começamos um livro. Ao mesmo tempo, sinto que nunca possuímos tão pouco.
A conveniência nos convenceu de que acesso e propriedade são a mesma coisa. Mas pagamos mensalmente para ouvir milhões de músicas sem sermos donos de nenhuma delas.
Um álbum pode desaparecer porque um contrato acabou;
Um filme pode sair do catálogo — e sai;
Um livro digital pode simplesmente deixar de existir na biblioteca que imaginávamos ser nossa.
Passamos a guardar parte da nossa memória em lugares sobre os quais não temos controle.
Acredito que seja por isso que, em uma época em que quase tudo parece caber em uma nuvem, tantas pessoas tenham voltado a comprar discos. É fácil explicar esse movimento pela nostalgia.
O vinil é bonito, “cool”, “aesthetic” e todas essas palavras que tentam descrever o que é ter personalidade hoje em dia — e falham miseravelmente. Mas sinto que exista algo além disso.

(Imagem: Pinterest)
Comprar um disco é dizer que aquela obra merece ocupar um espaço na sua vida. É poder emprestá-lo a um amigo, pedir um autógrafo ao artista, escutá-lo décadas depois em outra casa sua ou deixá-lo para alguém da sua família.
É saber que, independentemente de contratos, plataformas ou atualizações de software, ele continuará exatamente onde você o deixou.
Objetos carregam marcas. A capa se desgasta, o disco começa a estalar em uma música específica. Com o tempo, eles deixam de guardar apenas a obra e passam a guardar também tudo o que aconteceu ao redor dela.
Minha cópia de The Dark Side of the Moon continua sendo o mesmo álbum que milhões de pessoas conseguem ouvir agora em qualquer plataforma.
Mas, para mim, ela também guarda a lembrança de ter quatorze anos, esperar minha prima voltar da Austrália e colocar um disco para tocar pela primeira vez. Nenhum serviço de streaming consegue armazenar essa parte.
É por isso que, dez anos depois, continuo enchendo meu rack de discos. Não porque acredito que o streaming vá acabar amanhã nem porque ouvir música em um disco seja mais prático — definitivamente não é. Continuo porque algumas das coisas que moldaram quem eu sou merecem existir em um lugar onde eu saiba exatamente onde encontrá-las.
Um lugar onde possam envelhecer comigo, atravessar mudanças de casa, poder dar minha cópia de Pet Sounds, dos Beach Boys, para meu futuro filho, sobrinho, sei lá, e falar: “aproveite”.
Um lugar onde nenhum algoritmo decida se elas continuam disponíveis amanhã ou não.
Com carinho,
Gabriela.
AUTORA
Gabriela Melo

Atua há mais de cinco anos com produção executiva audiovisual, cinema e publicidade. Ela também é autora da newsletter Conteúdo Altamente Não Solicitado, na qual publica reflexões sobre cinema, música, literatura, arte, esporte e cultura. Seus textos partem de referências que atravessam seu repertório — de filmes e livros a viagens e conversas — para pensar comportamento e as pequenas experiências do cotidiano.
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BASEADO EM UMA HISTÓRIA REAL
As estações do ano

(Imagem: Pinterest)
Certas histórias de amor não seguem o padrão das estações.
Algumas nascem no inverno, sobrevivem à primavera e só florescem mesmo quando chega o verão. A de Rose e Michael foi exatamente assim.
Era inverno de 2009, e Rose estava voltando de uma viagem de trabalho nos Estados Unidos.
Após uma feira de artesanato na Califórnia, aproveitou para visitar a família americana do coração, no estado de Washington. Na volta, embarcou num voo de Seattle para Dallas.
No assento ao lado, estava Michael. Conversaram durante todo o trajeto. Falaram sobre bichos, natureza, música e viagens e, sem que percebessem, as horas simplesmente passaram. Na despedida, trocaram e-mails.
E assim, foi crescendo uma amizade.
Por cinco anos, foi só isso. Ela no Brasil; ele em Seattle.
Cinco anos depois, na primavera de 2014, decidiram se reencontrar em Miami. A intimidade daquelas conversas nunca tinha ido embora. Foi ali que Michael fez o inesperado: pediu Rose em namoro.
Ela conhecia bem os desafios de uma relação à distância. Aceitou com uma condição: antes de qualquer promessa, ele precisava conhecer o Brasil.
Michael foi. Passou duas semanas descobrindo São Paulo, Paraty, São Luiz do Paraitinga e, principalmente, o mundo de Rose.
Pouco tempo depois, foi a vez dela passar um inverno inteiro em Seattle — conhecer os amigos dele, a rotina, os cafés, as trilhas e as chuvas.
Começaram a imaginar uma vida juntos, mas a burocracia do visto foi maior que os planos. Tentaram. Esperaram. Não conseguiram. Terminaram.
A vida seguiu, e o contato foi se perdendo.
Até que outra primavera chegou
Era 2019. Voltaram a conversar. Rose passou três meses em Seattle — sem planos, sem promessas, só deixando a vida acontecer.
Então, veio a pandemia e, com ela, uma escolha: ou ela voltava para o Brasil sem saber quando voltariam a se ver ou finalmente construíam a vida que tinham adiado durante tantos anos.
Escolheram casar.
Foi agosto de 2020. Verão. A cerimônia aconteceu no jardim da casa de amigas, em um dia tão bonito que parecia abençoar tudo.
As famílias estavam espalhadas entre Brasil, Estados Unidos e Austrália — cada uma em quarentena, cada uma diante de uma tela.
Rose pediu que todos se arrumassem e enviassem fotos para que, mesmo distantes, estivessem presentes naquele momento — e estiveram.
Hoje, seis anos depois, Seattle continua sendo casa. Michael continua consertando qualquer coisa que apareça pela frente, e Rose continua enchendo a vida de flores, amigos, gatos e almoços.
Dois gatos que, suspeita-se, já escolheram seus lados favoritos do sofá e não pretendem negociar.
Ele aprendeu a gostar ainda mais de música brasileira. Ela descobriu o jazz — desde que não seja muito complicado. Os dois continuam caminhando, pedalando e acampando, faça chuva ou faça sol.
Quando olham para trás, percebem que a história deles não aconteceu depressa. Ela precisou de invernos, primaveras e verões para se desenrolar.
E os dois estão animados para descobrir o que a vida guarda nos outonos…
Ficou curioso para conhecer Rose e Michael? Eles já apareceram no nosso Instagram! 💌
EXTRA
“Antes de amar-te, amor, eu nada tinha:
vacilei pelas ruas e pelas coisas:
nada contava nem tinha nome:
o mundo era do ar que aguardava.
Conheci salões cinzentos,
túneis habitados pela lua,
hangares cruéis que se despediam,
perguntas que teimavam sobre a areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
caído, abandonado e abatido,
tudo era inalienavelmente alheio,
tudo era dos outros e de ninguém,
até que a tua beleza e a tua pobreza
encheram o outono de presentes.”
— Pablo Neruda
EM CARTAZ
Nos cinemas ou no conforto do seu sofá

(Imagem Divulgação)
Uma das maiores lendas da humanidade ganha vida nas telonas com a estreia de A Odisseia, novo épico dirigido por Christopher Nolan, que chega aos cinemas brasileiros na próxima quinta-feira, dia 16 de julho.
Adaptando o clássico poema de Homero, escrito há mais de 2.700 anos, o longa promete redefinir o conceito de blockbuster histórico. A narrativa acompanha o tortuoso e perigoso retorno de Odisseu para Ítaca após a Guerra de Troia, estruturada por meio de uma cronologia não linear que explora as profundas consequências morais de suas escolhas.
Matt Damon assume o papel do rei guerreiro em uma atuação de entrega física extrema, liderando um dos elencos mais estelares do cinema recente, que traz nomes como Anne Hathaway, no papel de Penélope; Tom Holland, como Telêmaco; Zendaya, como a deusa Atena; e Charlize Theron, como Circe.
Confira os principais lançamentos da semana:
A Divina Sarah Bernhardt — 16 de julho, nos cinemas
A Noite De Alaíde — 16 de julho, nos cinemas
Heartstopper Para Sempre — 17 de julho, na Netflix
O Mapa dos Desejos — 17 de julho, na Netflix
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SEIS&SEIS
A gente gosta de histórias de amor. Gosta ainda mais quando os dois protagonistas têm histórias incríveis para contar

Sofia Bresser vendeu mais de mil unidades do seu primeiro wrap, o Tuna Special, nas primeiras 24 horas de lançamento. Hoje, é fundadora da Wrappd.
Theo Braga começou a empreender aos 13 anos e hoje está à frente de uma das maiores escolas de negócios da nova economia da América Latina.
No seis&seis, o casal sobe em palcos diferentes. A inspiração, porém, vem em dobro.
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