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paixão
domingo: 08 de fevereiro: não nos apaixonamos porque amamos — nos apaixonamos porque já éramos amor.

paixão
não nos apaixonamos porque amamos — nos apaixonamos porque já éramos amor.

FIRST THINGS FIRST
O amor já está

(Imagem: VSCO)
O amor é tão mais fatal do que eu havia pensado, o amor é tão inerente quanto a própria carência, e nós somos garantidos por uma necessidade que se renovará continuamente. O amor já está, está sempre. Falta apenas o golpe da graça — que se chama paixão.
Esse trecho, do livro A Paixão Segundo G.H., da Clarice Lispector, retira o amor do campo da escolha.
Ao dizer que “o amor é tão mais fatal do que eu havia pensado”, ela infere que o sentimento é algo que acontece apesar de nós, não por decisão nossa. Amar não é um gesto soberano; é uma condição à qual estamos sujeitos.
Em seguida, ela associa o amor à carência, não como falta específica, mas como estrutura.
A carência não é algo que se resolve; é constitutiva do humano. Por isso, o amor é “inerente”: ele não surge para preencher um vazio ocasional; ele nasce da própria condição de sermos incompletos.
E ao escrever que “nós somos garantidos por uma necessidade que se renovará continuamente”, ela desmonta a fantasia de plenitude definitiva. Não existe amor que nos satisfaça de uma vez por todas.
A necessidade volta — sempre. O amor não resolve a carência; ele convive com ela. Conforme a psicanalista Ana Suy: “só podemos amar ali onde suportamos perder.”
Ela então completa dizendo que “o amor já está, está sempre.” Porque o amor não começa quando encontramos alguém; ele é anterior ao objeto amado, existindo como potência, estado latente e disposição.
E aí falta apenas “o golpe de graça — que se chama paixão” para o milagre acontecer. É o choque, o momento em que aquilo esteve finalmente frente a um rosto, um corpo e um nome.
Isso explica por que amar é tão pouco controlável, avassalador e, simultaneamente, humano. O amor não é algo que adquirimos. É algo que nos acontece quando a vida acerta o ponto exato da nossa necessidade.
EDITOR’S PICK
Sunday’s Feeling 🍓

(Imagem: Tumblr)
Aproveite o clima de domingo, siga as nossas dicas e seja feliz! ❤️🔥
BASEADO EM UMA HISTÓRIA REAL
Te amo tudo

(Imagem: VSCO)
Amanda escreve porque essa história nasceu literalmente do the stories. Não só porque ela lê a newsletter todo domingo de manhã, mas porque foi dessa forma que o Alan a pediu em casamento.
No dia 16 de fevereiro de 2025, um domingo, Amanda acordou por volta das nove da manhã numa cabana à beira-mar, no litoral cearense. O cenário era daqueles que quase constrangem pela beleza: varanda de madeira, uma mesa pequena e o mar aberto ocupando todo o campo de visão.
Ela acordou com Alan — e também com o peso da noite anterior.
Eles raramente brigavam, mas, na véspera, tiveram uma discussão feia por um pequeno motivo, desses que ganham proporção ao se misturar com expectativa e cansaço.
Amanda lembrava-se de cada frase da briga, mas não sabia que Alan não havia dormido nada naquela noite, tomado pelo medo de ter comprometido um momento que preparava havia tanto tempo.
Mas naquela manhã, o que veio primeiro não foi o ressentimento, mas os pedidos de desculpa, o reconhecimento mútuo e o abraço longo. Vieram eles do jeito que sempre souberam, após os tropeços.
Alan a chamou para tomar café na varanda. Tinha ido cedo à padaria comprar croissants. Sentaram-se à mesa pequena, com o mar imenso à frente, e ali o domingo começou a reorganizar-se.
Conhecendo o ritual da Amanda — café, silêncio, leitura do the stories — Alan contou que tinha escrito a história deles como se fosse para enviar à newsletter. E começou a ler.
O texto contava como eles se conheceram em 2017, ainda na faculdade. Falava de escolhas aparentemente aleatórias que, vistas de longe, mudam tudo. Falava de caminhos improváveis, de duas pessoas muito diferentes que acabaram se encontrando.
Alan mencionava, quase como uma nota de rodapé do destino, que decisões pequenas — uma faculdade escolhida por conveniência, uma viagem universitária, um jogo perdido — haviam sido essenciais para que ele encontrasse Amanda.
Amanda ouvia atentamente, reconhecendo sua história sendo narrada por outro olhar.
O texto falava das diferenças entre eles, das vidas que pareciam destinadas a jamais se cruzar, mas também da estranha sensação de inevitabilidade que sempre acompanhou esse encontro.
Alan terminou a leitura lembrando-se da primeira foto que postaram juntos. A legenda era um trecho da música "3 Horas", de Ana Gabriela: “Nós fomos a melhor coisa que me aconteceu.”
Ele disse que, oito anos depois, essa frase continuava sendo a mais verdadeira que já tinha escrito.
E foi justamente ali, naquela varanda, após um texto escrito para ela — e inspirado diretamente no the stories que ela tanto amava — que Alan fez o pedido.
Cinco meses depois, no dia 16 de agosto, Amanda disse sim novamente. O casamento foi rápido, quase apressado, pois eles logo se mudariam para os Estados Unidos, onde ela começaria o mestrado. Como tantas outras vezes, Alan embarcou nos sonhos dela sem hesitar.
Olhando para trás, Amanda percebe como a vida deles sempre foi marcada por mudanças: a faculdade, o primeiro apartamento juntos, a pandemia, a decisão de viver dois anos como nômades e agora uma longa temporada fora do país.
Curiosamente, as mudanças de cenário foram ficando menos assustadoras com o tempo. Talvez porque, no meio de tudo, havia algo que jamais mudou: a certeza de que, acontecesse o que acontecesse, eles estariam juntos.
No dia 16 de fevereiro, eles completam 6 meses de casados — e foi por isso que Amanda resolveu escrever.
Não para dizer que o amor é fácil. Ela sabe que não é. Mas para afirmar o que aprendeu vivendo: com a pessoa certa, ele pode ser muito tranquilo.
Lan, obrigada por ser o marido mais dedicado, amoroso e companheiro desse planeta (tudo aquilo que eu já sabia que você seria). Dos “sim” que eu disse na vida, o para você foi o mais importante e certeiro. Te amo tudo.
Ficou curioso para conhecer Amanda e Alan? Eles já apareceram no nosso Instagram. 🧸
ENQUETE DO THE STORIES

(Imagem: O Morro dos Ventos Uivantes)
Aproveitando a nova adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes, é impossível não voltar àquela pergunta que o livro (e agora novamente o cinema) insiste em nos fazer.
A história de Catherine e Heathcliff não foi sobre amor tranquilo, mas sobre um vínculo que ultrapassa escolha, bom senso e identidade. Amar é perder o chão, confundir o outro consigo mesmo e aceitar que certas paixões não cabem na ideia de felicidade.
Esse pode ser o motivo pelo qual O Morro dos Ventos Uivantes atravessa gerações, pois expõe o amor no seu ponto mais cru, onde desejo, dor e pertencimento são inseparáveis.
Ali, não há promessa de salvação, mas a constatação incômoda de que amar, em certos casos, é também sofrer — não como acidente, mas como parte da experiência.
Você tem medo de sofrer? |
RESULTADO DA ÚLTIMA ENQUETE
64,61% de vocês (283 pessoas) disseram que paixão é encontro.
Abaixo, uma resposta de destaque por opção:
→ (Encontro) “A paixão, assim como o amor, é algo que não podemos rotular; é algo que só a pessoa que realmente vive aquilo verdadeiramente sabe o que é — e mesmo assim ela pode não saber explicar. Isso é o amor e a paixão, quando nós temos uma conexão tão forte que não sabemos explicar com palavras, quando nós sacrificaríamos a nossa felicidade pela da pessoa amada.”
→ (Invenção) “Como própria Ana Suy diz, nossa padroeira das Gostosas e Choronas, ‘a paixão nasce dos buracos que o outro deixa’. No início, conhecemos só o que o outro permite que conheçamos e, conforme o tempo passa, vamos preenchendo os vazios com a nossa idealização, nossa fantasia. Mas isso não é necessariamente ruim, faz parte do processo. Porém, o amor se prova quando essa expectativa é quebrada, tal qual mencionado na edição. E que delícia que é poder perceber que se ama o outro verdadeiramente pelo simples fato de ele ser o que é, em vez de sofrermos porque ele não é aquilo que gostaríamos. 🖼”
EXTRA
Azul ou cinza?

tradução: “sinto sua falta. por favor, sinta minha falta também.” (Imagem: Pinterest)
Se você morrer de saudade, me avisa pra eu saber se amanhã será um dia azul ou cinza. Se você lembrar meu nome, pega o telefone e conta que lembrou, que foi sem querer, mas lembrou. Se for uma saudade que passou de raspão, conta mesmo assim, conta que quase pegou em você, que você quase sentiu a minha falta, e quase mandou uma mensagem e quase passamos a tarde conversando.
E, se você não sentir saudade nunca, tudo bem. Fico aqui achando que sentiu e não contou, e invejo as suas duas habilidades: não sentir saudade e ficar em silêncio quando sente.
Perguntei para aquele nosso amigo: “Será que ela também sente?” Ele respondeu com outra pergunta: “Você sente tanta saudade assim? Eu disse: “Todos os dias”. Ele evitou me olhar nos olhos e falou baixo: “Todos os dias é melhor que todos os minutos”.
Essa foi a primeira vez que quantifiquei a minha saudade em relação ao tempo: é muita, mas não é a cada minuto. Isso me leva a pensar que a sua pode ser pouca e única; por isso, se acontecer, me avisa pra eu saber se amanhã será um dia azul ou cinza.
— Bruno Fontes
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RODAPÉ
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A próxima pode ser a sua 💌
FINAL NOTES
Gostou da história que leu? A próxima pode ser a sua. Conte pra gente aquela história de amor que só você sabe e tem dentro de si. Afinal, todo mundo tem a sua.
Envie para: [email protected]
Queremos compartilhar, pelo menos um pouquinho, desse sentimento que você tem aí dentro. Você nunca sabe o que ele pode provocar nas pessoas…
the stories.cc 🧸
Nem sempre com finais felizes, mas sempre verdadeiras. Histórias de quem realmente sentiu algo sincero, diretamente entregues na sua caixa de entrada.
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