festival de cannes

domingo: 17 de maio

 

A autora Adélia Prado começou a escrever aos 14 anos, mas só publicou seu primeiro livro, Bagagem, quando tinha 40 anos e cinco filhos.

O manuscrito chegou às mãos de Carlos Drummond de Andrade, que elogiou sua capacidade única de transformar o cotidiano em poesia — e foi assim que o mundo conheceu uma das maiores vozes da literatura brasileira.

E você, tem algum sonho que está enrolando para tirar do papel?

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THE BIG PICTURE

Todo ano, em maio, uma cidade do sul da França para o mundo.

(Imagem: Pinterest)

Não é exagero. O Festival de Cannes é o evento cultural mais midiatizado do planeta, atrás apenas dos Jogos Olímpicos e da Copa do Mundo. Mas antes de chegar às proporções atuais, saiba que Cannes quase não existiu.

Em 1938, o diplomata Philippe Erlanger assistia à premiação da Mostra de Veneza quando viu filmes nazistas e fascistas levarem os maiores prêmios. No trem de volta a Paris, surgia a ideia de criar um festival rival, mas livre de qualquer interferência.

A data marcada foi setembro de 1939. Só que, no dia da abertura, a Alemanha invadiu a Polônia… e o festival que nasceu para resistir ao fascismo foi, ironicamente, uma de suas primeiras vítimas.

Corta para 1946: com a guerra encerrada, o festival finalmente aconteceu. E, quase dez anos depois, em 1955, surgiu a Palma de Ouro — o prêmio de maior prestígio de Cannes.

(Imagem: Cannes Office de Tourisme)

Nas décadas seguintes, Cannes foi se reinventando: abriu espaço para a nouvelle vague, a “nova onda” que rompeu com o cinema clássico, para o cinema político e para vozes que vinham da Ásia, da África e da América Latina.

Eis que então surge uma grande dúvida… 🤔

Qual é a diferença entre Cannes e o Oscar? Bom, Cannes não é apenas uma premiação, é um festival — e essa distinção é importante.

(Imagem: Pinterest)

Enquanto o Oscar distribui troféus decididos por uma academia majoritariamente americana, Cannes fervilha em debates, mostras não competitivas e em um mercado que movimenta a indústria global.

A Palma de Ouro vai para o diretor, não para os produtores, e é decidida por um júri de artistas de diferentes países.

Isso explica por que os filmes que vencem em Cannes costumam ser diferentes dos que vencem o Oscar, mesmo que, em raras ocasiões, os dois se cruzem.

O exemplo mais recente foi Anora, que venceu a Palma de Ouro de 2024 e, no ano seguinte, levou o Oscar de Melhor Filme. Além dele, apenas três outros filmes conseguiram esse feito:

  • Parasita

  • Marty

  • Farrapo Humano

Cannes 2026 está batendo na porta 🎞️

A 79ª edição, que começou em 12/05 e vai até 23/05, tem um recado claro: Hollywood fica em casa. Pela primeira vez em cinco anos, nenhum blockbuster americano desembarca na Riviera.

(Imagem: Pinterest)

O destaque desta edição é o cinema de autor. Diretores como Pedro Almodóvar, Asghar Farhadi, Ryusuke Hamaguchi e Hirokazu Kore-eda disputam a Palma sob um júri presidido pelo diretor e roteirista sul-coreano Park Chan-wook.

São 21 filmes confirmados, com predominância europeia (15 produções), seguidos por asiáticos (5) e americanos (2). Nenhum latino-americano disputa o prêmio principal.

Diferentemente do sucesso do ano passado com O Agente Secreto, o Brasil aparece apenas nas coproduções: Elefantes na Névoa tem produtoras brasileiras, enquanto Selton Mello atua no chileno La Perra.

E olha que impressionante… Quase 90 anos depois daquela ideia rabiscada num trem, o Festival de Cinema de Cannes continua funcionando como um termômetro cultural do mundo.

Não apenas porque premia grandes filmes, mas porque nos mostra para onde o cinema mundial está olhando.

GIRO CULT

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🎧 O áudio erótico é o novo destino secreto de Hollywood. Estrelas estão trocando as telas pelos microfones desse app.

BASEADO EM UMA HISTÓRIA REAL

A ausência também era amor

(Imagem: Pinterest)

Há pouco mais de dois meses, Ana perdeu a mãe.

Não existe jeito bonito de contar isso… mas existe uma história dentro dessa perda — e essa, sim, é muito bonita.

Margarida sonhava como quem respira. Nos anos 80, numa cidade pequena do interior, essa filha de um pedreiro e de uma dona de casa decidiu que queria ser professora universitária.

  • Para muitos à sua volta, parecia delírio, mas ela foi assim mesmo. Fez magistério, deu aulas em escola pública e nunca parou de olhar para mais longe.

Quando decidiu tentar uma universidade federal — sem dinheiro, sem referência e sem nenhuma garantia — estudou sem parar. Passou em Direito na Universidade Federal de Alagoas. O nome saiu no jornal.

Era a primeira da família a cruzar aquela fronteira. E quem abre uma porta assim nunca abre só para si.

A vida não ficou mais fácil depois disso. Pelo contrário, tornou-se mais complexa e repleta de escolhas sem respostas corretas.

Margarida tornou-se advogada e, ao mesmo tempo, mãe solo. Mudou de cidade sem conhecer ninguém, carregando filhos pequenos e um sonho ainda inacabado.

Prestou concurso público e finalmente chegou onde sempre quis: professora universitária. Em menos de seis anos, fez o impossível parecer rotina.

Depois veio o mestrado, e é dessa época uma das memórias mais nítidas da infância de Ana:

O escritório improvisado na laje. Um quarto pequeno, livros empilhados e um colchão no chão para que a filha pudesse dormir por perto enquanto ela estudava madrugada adentro.

Enquanto Ana dormia, Margarida construía um futuro que os filhos ainda não tinham idade para entender.

Ana cresceu sentindo falta: das festas da escola em que a mãe não estava e dos pequenos momentos que, para uma criança, parecem tudo. Ela sentia a ausência — sem conseguir enxergar o tamanho do amor que existia por trás dela.

Porque Margarida estava sempre construindo. Quando deixava de comprar algo para si. Quando dividia o próprio lanche em poucas mordidas. Em cada conta feita às escondidas. Em cada sonho adiado para que nada interrompesse os sonhos dos filhos… mesmo que isso custasse os dela.

Os filhos cresceram. Um passou na federal; outra foi ainda mais longe. A filha mais nova foi estudar fora do país. E foi então que Ana entendeu.

A ausência nunca tinha sido falta de amor. Era excesso dele.

O corpo de Margarida cobrou o preço de tantos anos resistindo: câncer de mama, AVC, cirurgias. Ela adiou tratamentos para não parar. Fez quimioterapia trabalhando. E, mesmo nos momentos mais difíceis, a preocupação seguia sendo a mesma: se os filhos teriam tudo de que precisavam.

  • Ela continuou sonhando. Começou até um projeto de doutorado. Mas, dessa vez, o corpo já estava cansado demais. Margarida partiu cinco dias antes do próprio aniversário.

A herança que deixou foi imensa. Não foi dinheiro — mas os filhos, o gosto musical deles, o senso crítico e a forma de enxergar o mundo.

Porque foi isso que Margarida fez a vida inteira: sonhou, abriu mão e construiu em silêncio. Ao fazer isso, mudou o destino de toda uma família.

Talvez ninguém conte o suficiente sobre certos amores… os que não são românticos, mas acabam sendo a grande história de amor da nossa vida.

Ficou curioso para conhecer Ana e Margarida? Elas já apareceram no nosso Instagram! 💌

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EM CARTAZ

Nos cinemas ou no conforto do seu sofá

(Imagem: Divulgação)

Aqueçam os motores: a dupla mais amada da galáxia invade as telonas em 21 de maio de 2026. Dirigido por Jon Favreau, o filme O Mandaloriano e Grogu traz Din Djarin (Pedro Pascal) e seu aprendiz em uma nova missão cinematográfica para caçar os últimos remanescentes do Império.

A trama expande o universo da série do Disney+, elevando a escala da ação enquanto mestre e aprendiz enfrentam perigosos senhores da guerra. A produção promete consolidar o fenômeno do streaming como o novo pilar de Star Wars nos cinemas.

Confira os principais lançamentos da semana:

  • Erupcja 21 de maio, nos cinemas.

  • Diamantes  21 de maio, nos cinemas.

  • The Boroughs — 21 de maio, na Netflix.

E você, assistiu a qual dos lançamentos que mencionamos na última edição?

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FINAL NOTES

A próxima pode ser a sua 💌

Gostou da história que leu? A próxima pode ser a sua. Conte pra gente aquela história de amor que só você sabe e tem dentro de si. Afinal, todo mundo tem a sua.

Envie para: [email protected]

Queremos compartilhar, pelo menos um pouquinho, desse sentimento que você tem aí dentro. Você nunca sabe o que ele pode provocar nas pessoas…

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