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literatura e lugares
domingo: 09 de agosto

Em meio aos horrores da Segunda Guerra Mundial, o judeu italiano Guido é levado para um campo de concentração ao lado do filho pequeno.
Para protegê-lo da violência que os cerca, transforma a realidade em uma grande brincadeira: faz o menino acreditar que tudo aquilo é um jogo, em que cada desafio vale pontos, e o prêmio final será um tanque de guerra.
Guido não consegue mudar o mundo em que o filho vive, mas faz de tudo para mudar a maneira como ele o enxerga. O filme A Vida É Bela é um dos retratos mais comoventes do amor paterno já feitos pelo cinema.
ENSAIO ABERTO
“Por que eu sinto saudade de um lugar onde nunca estive?”

(Imagem: Pinterest)
Essa é uma pergunta que eu sempre me fiz e que, até hoje, continua me encantando.
Como posso ter sentimentos, histórias e memórias de um lugar que meus pés nunca pisaram?
Como uma cidade pode parecer familiar antes mesmo da primeira visita?
Atualmente, moro em 🇵🇹 Portugal, fazendo mestrado. Confesso que a escolha pelo país não foi só acadêmica, mas, em boa parte, pela sensação de que eu já sentia saudades de lá. Mesmo sem nunca ter pisado em Portugal, parecia que meus olhos já tinham visto cada ponto do país. Ou melhor: lido.
Antes de morar aqui, Fernando Pessoa já tinha me apresentado a Lisboa. Eu já conhecia o Rio Tejo, já tinha andado pela Rua dos Douradores, onde Bernardo Soares vivia e desassossegava, no Livro do Desassossego.
Quando finalmente aterrizei, em carne e osso, na cidade, não tive a sensação de uma turista chegando a um lugar novo. Alguns cantos não pareciam uma descoberta, mas, sim, um reencontro, como se eu estivesse voltando a um endereço que eu só nunca tinha visitado pessoalmente.
E não foi só com Lisboa
Com Italo Calvino, em As Cidades Invisíveis, visitei dezenas de cidades que nem existem e, ainda assim, sinto que poderia desenhar o contorno de algumas delas de memória.
Com A Cruz Torcida, vivi uma versão de mim que morava em Berlim durante o período do nazismo.
É interessante pensar que a literatura sempre me intrigou por isso: por nos permitir sentir saudade de vidas que nunca tivemos, de ruas que nunca pisamos e de tempos que já passaram antes mesmo de nascermos.

(Imagem: Pinterest)
Confesso que, quando alguém diz que literatura, principalmente ficção, é "só historinha" (sim, no diminutivo, com aquele tom de quem acha que é coisa menor, escapismo, coisa de gente que não quer encarar o mundo real), meu estômago revira.
Porque a ciência prova exatamente o contrário
No livro O Cérebro no Mundo Digital, a neurocientista Maryanne Wolf mostra o poder que a leitura de ficção exerce sobre o nosso cérebro. Ela mostra que a literatura nos torna mais empáticos porque nos obriga a habitar outra consciência por algumas horas.
E não é força de expressão. Quando lemos ficção, o cérebro simula ativamente a consciência de outra pessoa, inclusive de gente que jamais imaginaríamos conhecer na vida real.
Por alguns instantes, deixamos de ser só nós mesmos para sentir, de dentro, o que é ser outra pessoa: com as dúvidas, os medos e os desejos que regem vidas completamente diferentes da nossa.
Isso explica a empatia que sentimos por personagens, mas também explica a saudade que sentimos dos lugares onde eles viveram.
A razão por trás disso é que o cérebro não separa muito bem viver de imaginar.
Quando um personagem atravessa uma cidade, sentimos o calçamento sob os pés dele como se fosse nosso;
Quando ele entra em um bar, em uma casa ou em uma igreja, o cérebro registra aquele espaço com o mesmo tipo de marca emocional que reserva para os lugares que vivemos de verdade.
A ficção não cria só personagens fictícios; ela cria também endereços fictícios que, para o nosso cérebro, se tornam tão reais quanto qualquer rua da nossa infância.
Foi assim que, com Clarice Lispector, no conto Amor, eu já estive no Rio de Janeiro, dentro de um bonde, vendo a cidade se transformar aos olhos de Ana, sentindo o calor e o incômodo daquela tarde como se fossem meus.
Foi assim que, com Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas, já molhei os pés no Rio São Francisco, atravessando veredas que nunca pisei fisicamente.

(Imagem: Pinterest)
Por isso, sempre que alguém me diz que quer viajar mais, ou que quer ser uma pessoa mais sensível, mais aberta, mais capaz de entender o outro, a minha recomendação é sempre a mesma: leia literatura.
É assim que a gente aprende a sentir o mundo e as pessoas antes mesmo de sair de casa.
E funciona até na prática, de um jeito bem literal: é ótimo para montar roteiro de viagem. Porque você chega aos lugares e sente que já é de casa, que alguma versão sua já esteve ali antes, esperando o resto de você chegar.
Agora eu te pergunto: quantos lugares você já visitou antes mesmo de ir? Quantas saudades você carrega de ruas, cidades e vidas que só existiram entre as páginas de um livro e que, ainda assim, moldaram quem você é hoje?
Se você ainda não sente isso, dê uma chance à literatura!
Com carinho,
Ana Cláudia.
AUTOR
Ana Cláudia Martins Gomes

É formada em Letras – Língua Portuguesa e suas Literaturas e faz mestrado em Estudos Literários e Culturais na Universidade do Porto. Atua há mais de 5 anos com redação publicitária, copywriting e faz parte do time de branded content do the news. É apaixonada por livros, histórias, cultura, artes e publicidade.
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BASEADO EM UMA HISTÓRIA REAL
A profissão favorita

(Imagem: Pinterest)
Há pessoas que têm muitos nomes. Olímpio é uma delas.
Para alguns, é doutor;
Para outros, promotor;
Para os amigos, Olimpinho.
Mas, para as filhas gêmeas Lara e Marina — ou, como quase todo mundo as conhece, Lali e Nina —, ele atende por uma infinidade de apelidos.
Antes de ser pai, Olímpio foi um menino tímido, baixinho e de óculos fundo de garrafa. Cresceu em Salvador, numa casa onde seis pessoas dividiam apenas dois quartos. Tinha um único sapato para sair, que era apertado, mas bonito — e, por isso, fazia questão de usá-lo.
Na escola, passava os recreios sozinho até que, um dia, um colega resolveu chamá-lo para brincar. Décadas depois, aquele menino se tornaria seu compadre.
A vida seguiu
Estudou, passou no concurso aos 23 anos e ficou cinco anos percorrendo o interior do estado. Depois, voltou para Salvador e se casou.
Com o decorrer do tempo, descobriu aquela que seria sua profissão favorita: pai.
No dia em que as meninas nasceram, apareceu na maternidade vestindo uma camiseta feita especialmente para a ocasião.
Nas costas, lia-se "Pai de Dois", sobre o símbolo do Superman. Na frente, um espermatozoide carregava uma tocha olímpica — um trocadilho que só alguém chamado Olímpio faria.
A infância das duas foi registrada quase inteira por uma filmadora que parecia extensão da mão dele. Aniversários, viagens, apresentações da escola e domingos sem motivo especial. Tudo virou DVD.
Anos depois, durante a pandemia, a família assistiu a todos eles como quem visita uma casa onde ainda mora uma parte da infância.
Olímpio também era o responsável por uma série de regras que, na época, pareciam exageradas.
Não podiam andar descalças quando estava frio ou sair sem chapéu na fazenda por causa do temido "sereno". O ar-condicionado precisava ficar nos exatos 22 graus. Mel com própolis. Cápsula de alho. Dormir com a cabeça elevada. Água, mas nunca durante a refeição.
As meninas reviravam os olhos. Hoje, entendem que nenhuma dessas regras era realmente sobre gripe, sereno ou temperatura. Era sobre amor.
Ele era o contador oficial de histórias, o desenhista, o ator, o animador das festas e o autor de piadas que nem sempre faziam sentido, mas que sempre faziam parte da memória.
Olímpio também nunca aprendeu a cuidar só da própria vida.
Quer vender o carro de um amigo, ajudar o outro a encontrar apartamento, mobilizar gente para uma doação de sangue e resolver o problema de alguém que mal conhece.
E, naturalmente, toda nova missão vira missão da família inteira
Carinhoso, emotivo e incapaz de esconder o afeto, gosta de assistir a filmes com todo mundo abraçado no sofá. Diz que não vai comer e, cinco minutos depois, está experimentando o prato de cada um. Dorme ouvindo Spotify e quase sempre esquece de colocar o timer.
Seu grande plano para a aposentadoria é abrir um barzinho. Na cabeça dele, toda a família vai trabalhar lá; na cabeça da esposa, esse projeto já dá trabalho antes mesmo de existir.
Nina costuma dizer que herdou muito do pai. O jeito, o temperamento, a curiosidade e o gosto por boas histórias.
Talvez por isso tenham brigado tanto durante tantos anos — e talvez pela mesma razão tenham se tornado grandes cúmplices.
Foi com Olímpio que ela aprendeu a ouvir rock clássico, a gostar de curiosidades históricas e, principalmente, a tratar qualquer pessoa com gentileza.
Hoje, mesmo convivendo com artrose e duas próteses no quadril, ele continua vivendo exatamente como sempre ensinou: dançando, viajando, fazendo trilhas, indo à praia e cercado das pessoas que ama.
Costuma brincar que é um "homem biônico".
As filhas preferem outro apelido: "nosso pequeno estranho".
Mais um entre tantos: Pai, Papi, Papito, Pinho, Pimps, Pimpão, Alimpo...
Mas talvez nenhum deles diga tanto quanto o primeiro.
Pai.
Ficou curioso para conhecer Nina e Olímpio? Eles já apareceram no nosso Instagram! 💌
EXTRA
“Feliz de quem aprendeu
e hoje pode ensinar.
É correr sem esquecer
quem lhe ensinou a andar.
Feliz de quem dá amor
pra quem só fez lhe amar.
Feliz de quem pode ter
companheiros tão leais.
Feliz de quem agradece
com sentimentos iguais.
Feliz do filho que vira,
um dia, pai de seus pais.”
— Bráulio Bessa
RECADO DO TIME
Dicas do nosso time para você ficar menos tempo scrollando
🍽️ Belinha: visite aquele restaurante que já está na sua lista de desejos há muito tempo.
👨👩👧 Tchela: passe o domingo com a família, conversando e ouvindo histórias antigas.
EM CARTAZ
Nos cinemas ou no conforto do seu sofá

(Imagem: Divulgação)
Dezesseis anos após o lançamento do segundo filme, a franquia musical da Disney ganha uma nova vida com a estreia de Camp Rock 3, marcada para o dia 14 de agosto de 2026, diretamente no catálogo do Disney+.
A sequência traz o retorno dos Jonas Brothers (Joe, Nick e Kevin Jonas), reprisando seus papéis como os integrantes da banda Connect 3 e assumindo também a produção executiva ao lado de Demi Lovato.
Na trama, após a atração de abertura da sua turnê de reencontro cancelar a participação de última hora, o trio retorna ao famoso acampamento musical para encontrar a próxima grande promessa da música entre os jovens talentos da nova geração.
Confira os principais lançamentos da semana:
A Morte de Robin Hood — 13 de agosto, nos cinemas
Baixio das Bestas — 13 de agosto, nos cinemas
Honestino — 13 de agosto, nos cinemas
Ópera! - Canção para um Eclipse — 13 de agosto, nos cinemas
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RODAPÉ
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até domingo que vem!
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