mulheres no cinema

domingo: 08 de março

Você já reparou que algumas das maiores revoluções da humanidade não foram fruto de um plano perfeito, mas de um erro de percurso? Na ciência e na história, esse fenômeno tem nome: serendipidade.

Cunhado em 1754 pelo escritor Horace Walpole, o termo foi inspirado no conto persa “Os Três Príncipes de Serendip”, no qual os protagonistas viajavam e encontravam coisas valiosas que não procuravam.

A serendipidade é a arte de encontrar o que não se busca. Foi assim que se criou o Post-it, se descobriu a penicilina e até o micro-ondas.

THE BIG PICTURE

“Se o cinema retrata a realidade, por décadas, nós não existíamos."

(Imagem ilustrativa: Reprodução / Cinemação)

Há uma pergunta que raramente foi feita à indústria cinematográfica em seus cem primeiros anos de existência: quem está do outro lado da lente?

Durante décadas, a resposta foi um eco uníssono: quase sempre um homem branco, europeu ou americano. Esse monopólio do olhar foi tratado como ordem natural das coisas; uma regra invisível e absoluta.

A história real do cinema, quando despida de preconceitos, é tecida por mulheres resilientes — e, neste 8 de março, celebramos as trajetórias que desafiaram a gravidade do mercado. O que as une é a recusa em aceitar que as grandes histórias pertençam sempre aos mesmos ângulos.

Tudo começou em 1896…

A francesa Alice Guy-Blaché inaugurou essa rebeldia quando era apenas uma jovem secretária em Paris.

Enquanto o mundo filmava a realidade crua — trens chegando à estação, operários saindo da fábrica — ela pediu ao seu chefe para filmar o imaginário em A Fada do Repolho. Sem saber, inventou o cinema de ficção.

Ao todo, dirigiu mais de mil produções e fundou um estúdio próprio. Alice demonstrou que a câmera não serve apenas para registrar o mundo, mas para reinventá-lo.

(Imagem: Adélia Sampaio)

No Brasil, Adélia Sampaio descobriu que a lente poderia ser, acima de tudo, uma ferramenta de justiça.

Nascida em 1944, filha de empregada doméstica, ela trabalhou em todas as funções possíveis dentro de um set antes de assumir o comando, aprendendo a gramática do cinema no chão da produção, degrau por degrau.

  • Em 1984, lançou Amor Maldito, longa pioneiro ao retratar o afeto entre duas mulheres no cinema nacional. A Embrafilme, entretanto, recusou o projeto, classificando-o como "inadequado".

Sem apoio estatal, Adélia produziu o filme de forma cooperativa, tornando-se a primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no Brasil.

Quem molda o imaginário coletivo

Nos Estados Unidos, Shonda Rhimes provou que diversidade é audiência global. Em Grey's Anatomy, ela deslocou o centro da narrativa para personagens complexos, plurais e imperfeitos. Foi a primeira mulher a ter três séries dramáticas com mais de cem episódios cada.

Em 2017, seu contrato com a Netflix redefiniu o modelo de produção televisiva global, dando a ela o título de arquiteta do novo entretenimento.

(Imagem: Merie Wallace)

No cinema, Greta Gerwig foi além da representação. De Lady Bird a Barbie, ela retrata o feminino em suas contradições, inseguranças e potências.

  • Quando o filme da boneca mais famosa do mundo ultrapassou a marca de US$ 1 bilhão, tornou-se o longa-metragem dirigido por uma mulher com maior bilheteria da história.

No nosso país, Cecília Amado, neta de Jorge Amado e Zélia Gattai, carrega um sobrenome histórico, mas construiu o seu próprio caminho. Após anos como assistente de direção, estreou com Capitães da Areia e fundou a produtora Tenda dos Milagres, em Salvador.

Suas lentes apontam para o Brasil que raramente ocupa o centro: mulheres, povos originários e memórias invisibilizadas. Ela mostra que o cinema brasileiro pulsa muito além do eixo Rio–São Paulo.

(Imagem: Divulgação)

A outra metade da conversa

O que essas mulheres realizaram não foi apenas incluir diversidade em uma indústria já consolidada; elas revelaram que a 7ª arte, sem o olhar delas, estava sempre incompleta.

Durante décadas, assistimos a um mundo filmado por um único prisma, perdendo metade das cores e das verdades da experiência humana.

  • Agora, a lente gira e, ao girar, muda quem é visto, quem é ouvido e quem finalmente pode existir na tela como protagonista da própria história.

O cinema que conhecemos está apenas começando a ser contado por inteiro.

GIRO CULT

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💕Uma curadoria sonora feita sob medida para os românticos.

BASEADO EM UMA HISTÓRIA REAL

Amor fora do cronograma

(Imagem: Pinterest)

Gabriela sempre foi a senhora das certezas. Em seu mundo, a vida não acontecia por acaso; ela era meticulosamente pautada por planners impecáveis, códigos de cores e uma dedicação absoluta aos estudos para a residência médica.

  • Para ela, o tempo era uma sucessão de metas alcançadas e janelas de produtividade. O amor, se é que havia espaço para ele, certamente não figurava em sua planilha.

Eis que surgiu Bruno, como um imprevisto digital. Ao puxar assunto no Instagram, a resposta de Gabriela foi quase um laudo técnico: uma foto do seu cronograma lotado, enviada como quem apresenta provas de que o coração não estava disponível para interrupções.

A vida, no entanto, guarda seus melhores roteiros para quem tenta editá-la demais.

A primeira colisão real aconteceu em um cenário de puro caos: a saída do metrô na Praça Nossa Senhora da Paz, no Rio de Janeiro, em plena sexta-feira de Carnaval.

Gabriela viu Bruno, impecável em sua camisa de trabalho. Naquele segundo suspenso, os olhares se cruzaram. 

Foi o primeiro sinal de que as páginas do seu planner estavam prestes a ser bagunçadas por um vento que ela não previu.

  • O destino deu o xeque-mate no dia 6 de abril. O plano original era um jantar em Ipanema, mas o restaurante estava fechado.

Para a "velha Gabriela", o erro de percurso seria um problema; para a nova versão que se despertava, foi o passaporte para o plano B: um rooftop em Copacabana, sob as luzes da cidade e o sopro do mar.

Ali, ela se apaixonou. Como diria Paulo Leminski: “o destino quis que a gente se achasse, na mesma estrofe e na mesma classe, no mesmo verso e na mesma frase.”

O namoro oficial começou em junho, sem burocracias, com um ursinho de pelúcia e a coragem de Bruno em ocupar um lugar que jamais lhe fora reservado.

  • Recentemente, o casal voltou ao restaurante que estava fechado no primeiro encontro para comemorar o aniversário de união, encerrando o ciclo do imprevisto que se tornou destino.

Hoje, Gabriela entende que o amor não pede autorização para entrar; ele simplesmente ignora a agenda e transforma a segurança do cronograma na beleza de uma decisão compartilhada.

O que antes era um desvio de rota, hoje é a sua certeza mais bonita.

Ficou curioso para conhecer Gabriela e Bruno? Eles já apareceram no nosso Instagram.

EDITOR’S PICK

Dicas da nossa equipe

(Imagem: Amazon)

Viver é uma arte que se aprende no rascunho. Em Poesias que escrevi enquanto aprendia a viver, o professor e poeta Fagner Mera utiliza ilustrações minimalistas e versos acessíveis para transformar o cotidiano em reflexão.

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Nos cinemas ou no conforto do seu sofá

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Confira os principais lançamentos da semana:

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FINAL NOTES

A próxima pode ser a sua 💌

Gostou da história que leu? A próxima pode ser a sua. Conte pra gente aquela história de amor que só você sabe e tem dentro de si. Afinal, todo mundo tem a sua.

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