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os livros de romantasy
domingo: 24 de maio

Franz Kafka pediu ao melhor amigo, Max Brod, que queimasse todos os seus manuscritos após sua morte. Kafka era inseguro com o próprio trabalho e considerava sua escrita inacabada, imperfeita e indigna de existir.
Brod, no entanto, o desobedeceu. E foi por essa desobediência que o mundo conheceu A Metamorfose, O Processo e O Castelo, obras que definiram a literatura do século XX e criaram até um adjetivo, kafkiano, para descrever tudo o que é absurdo, burocrático e angustiante na vida moderna.
Kafka morreu aos 40 anos, de tuberculose, sem saber que se tornaria um dos escritores mais influentes da história.
THE BIG PICTURE
“Precisamos da fantasia para sobreviver à realidade.”

(Imagem: Pinterest)
Uma garota com um passado difícil. Um mundo de encantos, poderes e profecias. E, no meio de tudo isso, um romance impossível de ignorar.
Soa familiar, certo? É porque essa fórmula está em toda parte — ou, pelo menos, em todas as livrarias.
O romantasy, uma mistura de romance e fantasia, não é exatamente novo. Ainda assim, nos últimos anos, virou um fenômeno editorial, dominando as listas de mais vendidos, tomando conta do TikTok, conquistando uma geração inteira de leitoras obcecadas por mundos mágicos e homens emocionalmente inacessíveis.
Diferente da fantasia tradicional — mais preocupada com guerras, política e construção de universos complexos — aqui, o verdadeiro motor da história está nas relações.
O que importa não é só salvar o reino, mas o toque que quase acontece entre os personagens, o inimigo que talvez não seja tão inimigo assim e o beijo que demora praticamente 600 páginas para acontecer.

(Imagem: Pinterest)
E talvez esse seja, justamente, o segredo do gênero.
Em uma era marcada por relações rápidas, aplicativos de namoro e vínculos descartáveis, o romantasy oferece o oposto: romances intensos, absolutos e devastadores.
Histórias em que o amor ainda prevalece, mesmo que o mundo esteja acabando ao redor.
Não é por acaso que são livros escritos majoritariamente por mulheres e consumidos, em grande parte, por mulheres.
Sarah J. Maas, considerada a rainha do gênero, já vendeu mais de 75 milhões de livros em mais de 40 idiomas. Ao lado dela, nomes como Stephanie Garber e Rebecca Yarros ajudaram a transformar o gênero em um império editorial.
Só que existe um paradoxo curioso nisso tudo…
Apesar de dominar o mercado literário, o romantasy ainda não encontrou seu equivalente nas telas.
Existem séries com fantasia e romance, claro, como Game of Thrones e Outlander. Mas nenhuma delas nasceu exatamente da lógica do romantasy moderno.

(Imagem: Pinterest)
Sarah J. Maas chegou a vender os direitos de adaptação da saga Corte de Espinhos e Rosas e depois recuperou o controle do projeto. Agora, a autora exige participação criativa ativa antes de aprovar qualquer adaptação: escolha de equipe, envolvimento no roteiro e voz nas decisões criativas.
É uma postura que revela o tamanho do cuidado — e do medo — de transformar um fenômeno literário tão emocional em algo genérico na televisão.
Mas, enquanto isso, romances sem fantasia vêm dominando o streaming, como é o caso de O Verão que Mudou Minha Vida (The Summer I Turned Pretty), Rivalidade Ardente (Heated Rivalry) e Off Campus: Amores Improváveis.
O romantasy parece ser o próximo passo lógico.
E a aposta mais promissora atende pelo nome de Fourth Wing. A Amazon Prime Video está desenvolvendo uma série baseada no primeiro livro da saga Empyrean, de Rebecca Yarros.

(Imagem: Pinterest)
A trama acompanha Violet Sorrengail em um instituto militar brutal de cavaleiros de dragões, cercada por rivalidades, intrigas e um romance tão perigoso quanto inevitável.
O projeto está em andamento há dois anos e ganhou um nome de peso: Michael B. Jordan assina como produtor executivo.
Se funcionar, Fourth Wing pode fazer pelo romantasy o que Bridgerton fez pelos romances de época: transformar um fenômeno literário em obsessão audiovisual.
E então a fórmula que domina as livrarias — a garota, o mundo mágico e o amor impossível — finalmente vai conquistar as telas também.
GIRO CULT
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BASEADO EM UMA HISTÓRIA REAL
O fio vermelho

(Imagem: Pinterest)
Há uma lenda japonesa chamada Akai Ito. Segundo ela, ao nascer, os deuses atam um fio vermelho, invisível aos olhos, ao dedo mindinho de duas pessoas predestinadas ao encontro. Esse fio se estica, se enrola, atravessa continentes, mas jamais se rompe.
Simone e Máximo parecem ter nascido com esse fio atado.
Era 1991. Bariloche, neve, e dois jovens que não deveriam se encontrar.
Ela, brasileira, de Salvador, estudando administração em São Paulo; ele, argentino, de Buenos Aires, recém-formado em medicina.
Uma viagem de esqui os colocou no mesmo lugar ao mesmo tempo, e o resto foi o que Simone prefere não chamar de encontro, mas de reencontro, como se já se conhecessem de outras vidas.
As mãos se tocaram primeiro. Os olhos vieram depois.
Por quatro dias, não se desgrudaram, mas ambos tinham passagens de volta compradas — e a separação foi inevitável. Com ela, a distância entre dois países, dois idiomas e duas vidas que ainda precisavam ser vividas.
O que tinham era apenas o endereço um do outro. E, em 1991, isso significava uma coisa: cartas.
A espera era longa. Às vezes parecia que chegavam a cavalo, de tão demoradas. Mas cultivavam um ritual: antes de selar o envelope, borrifavam perfume no papel para que a carta chegasse com cheiro, com presença. Como se o outro pudesse, por um instante, estar ali, do lado de dentro daquele envelope.
Foram meses assim: de papel perfumado, de ligações caríssimas entre Brasil e Argentina, de um amor que insistia em existir apesar de tudo.
Então, Máximo ligou. Estava indo para o Club Med de Itaparica, uma ilha perto de Salvador. Simone também estava na Bahia, passando férias com a família — mais uma das coincidências improváveis dessa história. Foi buscá-lo no aeroporto e encontrou uma surpresa.
Não era mais o rapaz de roupas de esqui e cabelos compridos por quem tinha se apaixonado. Era um homem de cabelo raspado, bermuda quadriculada estilo escocês, meia até o joelho e um enorme coelho de pelúcia nos braços. Para ela.
Mudaram o roteiro. Máximo não foi para Itaparica. Na verdade, ficou um mês na casa da família de Simone.
Depois disso, decidiu fazer a residência médica em São Paulo. Ficaram três anos na mesma cidade. E então a decisão que selou tudo: mudar para a Bahia, casar e construir família. Três anos depois, nasceu Bruna; um ano e dez meses depois, Bianca.
Ele é prático; ela é poética. Juntos, descobriram que só praticidade não alimenta a alma — e só poesia não alimenta o corpo. Ele segura o balão dela para não voar longe demais; ela solta o balão dele para que voe um pouco.
Hoje, eles completam trinta anos de casados.
Simone pensa em tudo que viveram e volta sempre ao mesmo momento: o olhar da mãe no casamento. Um olhar que parecia saber, antes de qualquer um dos dois, que aquele amor já vinha sendo costurado muito antes de Bariloche.
O fio vermelho se esticou por oceanos. Sobreviveu a seis meses de espera, a cartas perfumadas e a ligações caríssimas entre dois países.
Trinta anos depois, ele continua ali, invisível, mas inteiro.
Ficou curioso para conhecer Simone e Máximo? Eles já apareceram no nosso Instagram! 💌
Outras histórias de amor ❤️🩹🐾
Ultimamente, temos pensado muito sobre as diferentes formas pelas quais o amor escolhe existir. Não nos leve a mal: nós ainda somos eternos românticos e apaixonados por grandes enredos de cinema.
Mas a verdade é que o amor também se disfarça de outras maneiras no nosso dia a dia — e muitas vezes, ele tem quatro patas, pelos e uma lealdade que não cabe em palavras.
Então, se a grande história de amor da sua vida hoje envolve o seu bichinho de estimação, a gente quer muito conhecer. Afinal, toda história de amor merece ser contada.
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EXTRA
“No minuto em que ouvi
minha primeira história de amor,
comecei a procurar por você.
Sem saber
o quão cega era essa busca.
Amantes não se encontram em algum lugar.
Eles estão um no outro
o tempo todo.”
— Rumi
EM CARTAZ
Nos cinemas ou no conforto do seu sofá

(Imagem: Divulgação)
O drama adolescente mais visceral da televisão se prepara para sua despedida definitiva em 31 de maio, na HBO Max, com um episódio final de 1 hora e 33 minutos de duração — sim, você leu certo.
A temporada final de Euphoria mostrou Rue Bennett (Zendaya) e o grupo de East Highland cruzando a barreira da vida adulta após um hiato de quatro anos marcado por trágicas perdas no elenco e pela explosão de seus astros em Hollywood.
Mas, apesar do espetáculo visual, da estética marcante e das atuações, as principais análises destacam que as provocações do criador Sam Levinson pareceram vazias e desconectadas do realismo que consagrou os primeiros anos da série.
Confira os principais lançamentos da semana:
Chopin, Uma Sonata Em Paris — 28 de maio, nos cinemas.
Natal Amargo — 28 de maio, nos cinemas.
Copan — 28 de maio, nos cinemas.
Star City — 29 de maio, na Apple TV.
Homem-Aranha Noir — 29 de maio, no Prime Video.
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FINAL NOTES
A próxima pode ser a sua 💌
Gostou da história que leu? A próxima pode ser a sua. Conte pra gente aquela história de amor que só você sabe e tem dentro de si. Afinal, todo mundo tem a sua.
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Queremos compartilhar, pelo menos um pouquinho, desse sentimento que você tem aí dentro. Você nunca sabe o que ele pode provocar nas pessoas…
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até domingo que vem!
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