review: a odisseia

domingo: 26 de julho

 

Existe uma categoria especial de palavras — e não são as que ouvimos todos os dias. São as que ficam guardadas em algum lugar que não tem nome certo e são acessadas nos momentos em que mais precisamos acreditar em nós mesmos.

Um elogio pode durar mais do que a própria pessoa que o fez. Pode aparecer em uma entrevista de emprego, em um primeiro encontro ou em uma terça-feira difícil, em que a gente precisa se lembrar de quem realmente é.

Perguntamos aos nossos leitores qual foi o elogio que eles nunca mais esqueceram. As respostas nos surpreenderam, e talvez surpreendam você também.

ENSAIO ABERTO

A Odisseia do IMAX: uma ilusão fantasiada de prestígio

(Imagem: Pinterest)

A adaptação de A Odisseia por Sir Christopher Nolan estreou nos cinemas e tomou o debate sobre a experiência cinematográfica. É preciso reconhecer: como diretor, Nolan é um incrível marketeiro, uma verdadeira testemunha de Jeová do IMAX, estreando seu próximo filme antes mesmo das gravações.

Fazer um filme chegar aos cinemas também é uma jornada épica. Desde que o diretor regressou para casa com as latas de IMAX na bolsa, pessoas de toda sorte passaram a agir como doutores em literatura grega pela USP.

Num território de bets e Virgínias, o que me surpreende mesmo é que a adaptação de um poema épico ainda gere qualquer debate.

Além de marketeiro, Nolan também foi corajoso. Existe algo amedrontador na maneira como os gregos transformaram a vida em linguagem. Mais de dois milênios depois, ainda nos lembram que qualquer roteiro será insignificante perto deles.

  • Quando Homero cantou Odisseu retornando a Ítaca, foi capaz de narrar a busca de identidade que definiu a consciência humana, reinterpretada por um planeta inteiro até hoje.

Por isso, é ingrata a missão de quem escolheu o portador de um cheque de US$ 370 milhões para adaptar Homero. Pessoalmente, sempre admirei as adaptações cujo valor está em saber a própria pequenez diante da obra.

Os diretores que mais admiro pisam sobre grandes textos como se caminhassem sobre uma caixa de ovos.

É o caso de O Brother, Where Art Thou?, dos irmãos Coen, que transportam a jornada do herói grego para o Sul dos EUA durante a Grande Depressão. A estrutura é exatamente a da Odisseia, mas, ainda assim, original e virtuosa.

(Imagem: Pinterest)

Infelizmente, Nolan escolheu o meio do caminho outra vez, enraizado entre suas convicções narrativas e a grandeza da obra original. Por isso, nunca estará no panteão que sonha habitar — onde estão os Coen, Kubrick, Pasolini, Herzog... Esse lugar não se conquista pela resolução da câmera ou pela técnica.

Se você não se importar em não ter visto um filme no final da sessão, vai amar A Odisseia de Nolan. Um excelente título para deixar passando, no último volume, em lojas de televisores modernos, pois trata-se apenas disso: uma excelente faixa de áudio com belas imagens e uns momentos legais.

  • Um roteiro preterido pelo diretor, que se apaixonou perdidamente por seu instrumento de trabalho e esqueceu completamente do filme, como um doutor Frankenstein que não dá a mínima para seu monstro e só prega sobre a traquitana que o criou.

Sobre as decisões estéticas de adaptação, nada tenho a dizer; trata-se do livre-arbítrio de um diretor. Particularmente? Vi coisas mais interessantes em filmes com 1% do orçamento. Mas, sobre essa obsessão pela forma, tenho meus 2 centavos.

Desde os primeiros rumores sobre o filme, me incomodava tudo estar relacionado à técnica, à maldita técnica. Nolan ignorou a Odisseia para lidar com seus problemas de superação pessoal, confundindo os meios e os fins.

Tudo não passou da egotrip de um diretor lidando com um desafio técnico que inventou para si mesmo. Não parece óbvio que o verdadeiro desafio de adaptar Homero não está em domar uma película?

(Imagem: Pinterest)

Por trás da pataquada do IMAX, há uma lógica perversa: a transformação do cinema em commodity. Nolan, como um menino mimado, esquece que mais importante do que o valor do brinquedo é a brincadeira.

Em um ritual coletivo, é impossível encostar no imaginário. Por isso, justificar um filme ruim de US$ 370 milhões por meio de uma tecnologia, sem nenhuma verdade espiritual, transforma a experiência do cinema em um evento tecnológico de três horas.

Desde que o cinema percebeu a banalização da imagem digital, muitos cineastas voltaram ao analógico, reconhecendo seu valor justamente na possibilidade mais humana da imagem. Mas aqui está o ponto: em vez de usar a tecnologia para explorar a linguagem, Nolan prefere reduzi-la a um artigo de luxo.

Não fazemos filmes para nós mesmos; fazemos para que sejam vistos por cada vez mais pessoas. Um espectador comum não distingue VistaVision de IMAX, 18K de 4K. Mas, pela linguagem, ele nunca se esquecerá de quando um filme mudou sua vida.

Não há nada que justifique essa obsessão pela escala. É como um vinho muito caro: a partir de um certo preço, a diferença de valor é apenas discurso e escassez.

E qual o valor de um diretor cuja plenitude de sua adaptação de Homero está disponível em apenas 40 salas de todo o mundo? Qual é o valor de um diretor que transforma o próprio público em espectadores de segunda categoria? É menos diretor, sim, aquele que se presta a adaptar Homero dessa maneira.

(Imagem: Pinterest)

Não há nada que justifique a obsessão pela escala nesses níveis. Curry Barker vendeu 400 milhões de ingressos com um filme de US$ 700 mil. Ninguém sabia com qual câmera foi filmado, mas muito se falou sobre a linguagem e o frescor no gênero que se propôs a fazer.

Quando saí da sessão — numa sala normal, com tela normal —, escutei dois amigos conversando no banheiro:

  • "Achei longo para car****. Não gostei muito. Nada a ver aquela armadura", dizia um deles.

  • "A gente precisa ver em IMAX quando passar o hype. Um amigo viu em IMAX e pirou", respondeu o outro.

Nessa lógica, fãs do diretor foram levados a crer que não existem adaptações ruins, apenas aquelas que não foram feitas em IMAX.

Como diz o professor William Mur, Nolan está para o cinema como a Zara está para a moda: vendendo ilusão de sofisticação para um público que consome fast fashion pensando ser prestígio.

Enquanto debatemos as escolhas de Nolan, quem vence outra vez é a técnica, que não poupará o cinema, nem nenhum de nós.

Gabriel.

AUTOR

Gabriel Calamari

Diretor, roteirista e fundador da Paliano — boutique de inteligência em storytelling —, Gabriel transita entre o cinema e o desenvolvimento de narrativas contemporâneas. É o nome por trás de O Céu na Cabeça, road movie Gen Z coproduzido pela Paramount, com estreia prevista para o início do próximo ano.

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GIRO CULT

📹 Quer saber como é a atmosfera de gravação de um colosso do cinema? Esse criador de conteúdo documentou um dia no set com Christopher Nolan.

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BASEADO EM UMA HISTÓRIA REAL

Forever in Love

(Imagem:

Em 9 de novembro de 2002, Márcio e Joy se conheceram por telefone.

Naquela época, não existiam aplicativos de relacionamento nem redes sociais. Existia apenas um bate-papo por voz — e bastaram alguns minutos de conversa para que os dois quisessem continuar ouvindo um ao outro.

Não foi amor à primeira vista. Foi amor ao som da primeira voz.

O que veio depois nunca mais parou. Por quatro anos, viveram um namoro à distância. Márcio em Florianópolis; Joy em Criciúma. A saudade fazia parte da rotina, mas nunca foi maior do que a vontade de estarem juntos.

Cada fim de semana era uma contagem regressiva. Cada abraço compensava todos os quilômetros. Cada despedida apenas confirmava o que os dois já sabiam: estavam construindo algo raro.

  • Em fevereiro de 2007, quando Joy concluiu a faculdade, deram o próximo passo: foram morar juntos.

Foi quando descobriram que o amor muda de forma. Ele deixa de existir apenas nos encontros de fim de semana e passa a morar nas pequenas coisas.

Nas compras do mercado. Na louça da pia. No café da manhã. Nos silêncios confortáveis. Nos dias bons. E, principalmente, nos dias difíceis.

Os anos passaram…

Em 2014, oficializaram a união estável. No ano seguinte, compraram o apartamento onde vivem até hoje. Cada cômodo foi sendo preenchido por lembranças, viagens, planos e pela tranquilidade de quem nunca precisou reinventar o próprio amor.

  • Márcio é do tipo que observa antes de falar. Cultiva orquídeas com a mesma paciência com que cultiva a vida que construiu ao lado de Joy.

  • Joy é expansivo. Ama praia, música, amigos e sempre quer ficar até a última canção tocar.

Os dois encontraram na música eletrônica — especialmente no tribal — mais uma maneira de viajar juntos pelo Brasil.

Em 30 de maio deste ano, tatuaram na pele o que já carregavam no coração há mais de duas décadas: Forever in Love.

Não por acaso nem por impulso, mas porque vinte anos de história pedem uma marca à altura.

Márcio e Joy continuam escolhendo um ao outro nas pequenas coisas. Nas orquídeas que florescem. Nas malas feitas para mais uma viagem. Nas festas que só terminam quando a última música acaba. Nos cafés compartilhados. Na rotina que aprenderam a transformar em lugar de afeto.

  • Ainda sonham com um casamento cercado pelas pessoas que amam. Com novos destinos pelo mundo. Talvez uma família maior.

Mas, olhando para trás, talvez percebam que a maior conquista nunca tenha sido chegar a algum lugar. Foi nunca terem parado de caminhar na mesma direção.

E, depois de mais de vinte anos, Má e Jojoy seguem exatamente assim.

Forever in love.

Ficou curioso para conhecer Márcio e Joy? Eles já apareceram no nosso Instagram! 💌

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A história do diretor por trás do filme A Odisseia

Christopher Nolan já gravava filmes aos 7 anos usando a câmera Super 8 do pai. Décadas depois, ele se tornou um dos cineastas que mais exploram a tecnologia para contar histórias, usando câmeras IMAX de altíssima resolução.

A história de Nolan mostra que boas ferramentas podem levar ideias ainda mais longe. Seja para trabalhar, estudar ou tocar um projeto pessoal, ter os equipamentos certos faz diferença.

EM CARTAZ

Nos cinemas ou no conforto do seu sofá

(Imagem: Divulgação)

Quatro anos após o estrondoso impacto global de Sem Volta Para Casa, a franquia do herói aracnídeo ganha uma virada de chave definitiva com a estreia de Homem-Aranha: Um Novo Dia, que chega aos cinemas brasileiros no dia 29 de julho.

Tendo sacrificado suas memórias e os laços com todos que amava para salvar o multiverso, ele agora canaliza toda a sua existência para o heroísmo urbano em tempo integral, encarando a dura transição da juventude para a vida adulta enquanto vê aqueles que ama seguirem em frente sem lembrar de sua existência.

Confira os principais lançamentos da semana:

  • O Diabo Veste Prada 2 — 29 de julho, no Disney+

  • As Cores do Tempo — 30 de julho, nos cinemas

  • A Fabulosa Máquina do Tempo — 30 de julho, nos cinemas

  • Não Sei Viver Sem Palavras — 30 de julho, nos cinemas

  • Lista de Desejos para Superagüi — 30 de julho, nos cinemas

E você, assistiu a qual dos lançamentos que mencionamos na

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